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Uma História...

Estava lá; caído à beira do rio, trazia flores nos braços, e o peito aberto sangrava um pouco, sobre o seu corpo claro, algumas pétalas de flores o cobriam, muitas delas azuis. As asas, machucadas pela queda, tinham um pouco de terra e folhas misturadas ao sangue que as manchavam, os pés, pareciam nunca terem pisado o chão, suas mãos entrelaçadas, como que suplicasse por algo, completavam junto da face ainda molhada por espontâneas lágrimas, este quadro sofrido, onde estampava um olhar parado de quem sente a dor e não reage. Carolina, quase moça aos seus dezesseis anos, que trazia sempre um sorriso largo na face e um jeito meigo e manso em seus olhos amendoados, uma menina bonita de um corpo bem desenhado, e longos cabelos dourados de chamar a atenção quando no sol brilhavam, vinha caminhando pela margem do rio, atirando pedras na água e colhendo algumas poucas flores que ali restavam, quando encontrou o moço de asas que chamou de Anjo. Assustada, ficou quieta, parada ao lado do corpo que não se mexia; pensou em correr, em chamar alguém, mas não, achou melhor ela mesma ajuda-lo, sozinha. Não sabia de onde ele vinha, mas o levou para dentro de uma antiga cabana, ali mesmo próxima ao rio, onde antes, coisa de uns vinte anos, moravam os pais de Clara, também menina ainda em idade igual a de Carolina.

Na cabana, em que por tudo via-se os sinais do abandono, que o tempo ali fazia e deixava, a menina usou um velho estrado de cama, algumas folhas, galhos de árvores, caixas de papelão, jornais velhos que traziam assuntos de dias distantes e trapos de panos que encontrou, para deitar e cobrir o Anjo, que ainda mantinha o olhar parado de antes. Carolina deu a ele água, limpou o seu rosto, as asas e cuidou de suas feridas, limpou também os cabelos negros do moço, que nas pernas dela a cabeça repousava. Quase não se movia, nenhum som dele se ouvia e Carolina, por dias voltava sozinha à cabana para cuidar do Anjo que encontrara e ali imóvel se mantinha.

Foi para Clara, sua melhor amiga a quem Carolina falou do moço. Já andava aflita e tinha que dividir o seu segredo com alguém. Levou a amiga até a cabana e mostrou–lhe o Anjo, ali deitado, ainda com a mesma expressão de antes, Clara espantada com o que via tentou saber da amiga detalhes da queda do moço, e ela respondia:

- O que sei está aí, vi um Anjo caído e o recolhi aqui para dentro, tenho cuidado dele desde então. Ele não me fala nada, não me mostra nada, só chora e tem este olhar parado, como se não estivesse em lugar algum.



Escrito por Mauro Medeiros às 23h07
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Um pouco de teatro...

        Anjos de Guarda                                 Pasolini, a Segunda                             Lucrecia, 

         de Zeno Wilde                                 Morte de Pedro e Paulo                  O Veneno dos Bórgia

       1987 (foto ensaio)                                    de Zeno Wilde                      de Paulo Cezar Coutinho

       (Mauro Medeiros)                                   1997 (foto cena)                           1993 (foto cena)

                                                                    (Mauro Medeiros)            (Guilherme Karan e Mauro Medeiros)



Escrito por Mauro Medeiros às 12h23
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TATIAR

Mergulho no escuro...

Venho tateando,

ou tento,

"Tatiar"

Busco nos olhos de quem olhar,

um brilho que me faça enxergar,

salto de um ponto mais alto,

mais alto que as nuvens

e volto a mergulhar,

caio num canto de olho,

de olhos que preciso para me enxergar,

escorro pequeno dos olhos,

molhando a tua face,

brilhando em teu olhar,

recolho-me no lenço,

que guarda agora umedecido,

tirando-me do teu olhar.

Tento por vezes de volta,

ser lágrima ou reflexo,

espelhado em teus olhos...

Aos olhos que pretendo agradar.



Escrito por Mauro Medeiros às 17h35
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Não foi só um filho que você tirou de mim...

Não foi só um filho que você tirou de mim...

As pequeninas mãos que não apertei,

os finos cabelos por onde minha mão não passei,

os lábios delicados que não beijei,

o corpo pequeno que não embalei.

Não foi só um filho que você tirou de mim...

O choro apertado doendo no peito,

as noites de prontidão,

os joelhos esfolados, os primeiros passos,

três palavrinhas ditas de novo...

Não foi só um filho que você tirou de mim...



Escrito por Mauro Medeiros às 23h34
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Foto...

 

...onde do vento riem as folhas,
onde da brisa ouve-se o canto
e onde das lágrimas que dos olhos escorrem
formam-se rios, mares e a chuva que me molha o corpo...

                                                          



Escrito por Mauro Medeiros às 15h52
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Quando sinto nas flores...

Duas mãos apertam-me o peito espremendo meu coração, dois olhos não me enxergam quando lanço-me à frente deles, lábios que oram por mim não mencionam o meu nome. Caminho abaixo dos pés que nesta noite não me conduzem, perco-me em pensamentos sem que neles entenda-me. Desloco-me no ar em vôo deixando minhas asas longe da flor, fujo dos espinhos machucando-me assim mesmo nas pétalas. Caio longe de mim, onde eu mesmo não me sinto... Sou quem não sei, quando sinto nas flores brotarem os meus espinhos

Escrito por Mauro Medeiros às 20h31
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Da janela de onde moro...

Da janela de onde moro,

vejo outras janelas e sei que atrás delas,

existem pessoas que como eu observam a vida que além delas existe.

Da janela de onde moro,

vejo um trem que passa transportando tantas pessoas,

como as que existem, atrás de todas as outras janelas.

Da janela de onde moro,

vejo as aves nas árvores,

nas poucas árvores que vejo, da janela de onde moro.

Da janela de onde moro,

vejo pessoas na rua, algumas agitadas, apressadas, outras perdidas,

vejo o catador de papel,

o cachorro que passeia preso a uma coleira, conduzido pelo seu dono

e vejo outros cães perseguindo uma cadela no cio.

Da janela de onde moro,

vejo o desespero de uma gente que estende a mão

e a recolhe para guardar a pequena moeda que recebe.

Da janela de onde moro,

vejo a fome da criança, que suga o peito murcho de sua mãe,

tão desnutrida quanto o filho.

Da janela de onde moro vejo o sol, a chuva...

E sem asas vejo o chão aproximar-se cada vez mais

e fecho os olhos nessa minha última visão e nada mais vejo...

... Da janela de onde moro.



Escrito por Mauro Medeiros às 22h33
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Asas de poucas penas...

Anjo que em minhas asas abrigo,

dá-me no vôo acolhida,

leva para longe de mim o delírio que tanto busco...

Repousa-me nas águas mansas e tranqüilas,

que abaixo das nuvens existem como um mar,

leva-me ao jardim das flores pintadas,

tinge o meu sonho que nas coisas procuro,

anima minh’alma,

alegra-me entre o sol e a lua,

ilumina-me com o brilho das estrelas, que nas noites salpicam um céu,

que escuro sem elas seria.

Anjo, que além da morte procuro,

sobrevoa-me acima das montanhas e espalha nelas um pouco de mim,

ajeita-me longe das dores que em meus olhos vejo,

ajeita minhas asas que em poucas penas...

Voar não mais pode...



Escrito por Mauro Medeiros às 00h33
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Não feche seus olhos...

Não feche seus olhos pra mim,

pois se por eles eu não puder me ver, não saberei onde encontrar você...

Não feche seus olhos nos meus,

não sei tatear no escuro, que os olhos fechados me deixam.

Não feche os meus olhos assim...

Fechando os seus olhos pra mim.



Escrito por Mauro Medeiros às 00h18
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E Deus fez "A Mulher"...

"Acordo meus olhos, viro-me lentamente
e passeio  meu olhar por todo o quarto, até chegar em você,
com as mãos tento tocá-la, sem que acorde,
quase nunca consigo,
e ao seu despertar, respondo,
com um beijo e meu sorriso"


Escrito por Mauro Medeiros às 16h24
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Não hei de chorar...

Hoje não quero chorar.

Não quero que as lágrimas brotem,

não quero umedecer nenhum lenço,

nem tão pouco molhar a minha face.

Hoje serei duro,

não permitirei ao menos que os meus olhos fiquem marejados,

nada me levara ao choro,

meu caminho hoje será diferente dos demais dias,

sem pranto pisarei duro e firme,

caminharei por sobre lágrimas que não serão as minhas,

porque hoje; não hei de chorar.



Escrito por Mauro Medeiros às 15h17
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Aos sonhos nos entregamos...

- Acho que não sei rezar, não sei sonhar,

nem tão pouco dizer palavras belas...

Admiro então as estrelas,

que com seu brilho a noite iluminam.

Admiro o chão que piso,

que sólido sustenta o meu peso.

Admiro o orvalho,

que vem com a manhã e umedece os campos e as flores.

Admiro o menino que fui,

e peço desculpas dos sonhos que não pude me dar.

Pois que aos sonhos nos entregamos,

deitamo-nos feito moças em seus braços,

somos seus prisioneiros, por vezes suas vítimas.

Mas à sua menor realização,

erguemo-nos vitoriosos e seguimos uma vez mais,

prometendo-nos novos sonhos,

admirando nossas escolhas,

admirando-nos ainda meninos, sonhando...

Aos sonhos nos entregamos.



Escrito por Mauro Medeiros às 17h31
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Quando sinto nas flores brotarem os espinhos...

Duas mãos apertam-me o peito,

espremendo meu coração,

dois olhos não me enxergam,

quando lanço-me à frente deles,

lábios que oram por mim,

não mencionam o meu nome,

caminho abaixo dos pés,

que nesta noite não me conduzem,

perco-me em pensamentos,

sem que neles entenda-me,

desloco-me no ar em vôo,

deixando minhas asas longe da flor,

fujo dos espinhos,

machucando-me assim mesmo nas pétalas,

caio longe de mim,

onde eu mesmo não me sinto,

sou quem não sei,

quando sinto nas flores brotarem os meus espinhos.



Escrito por Mauro Medeiros às 16h44
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Vôo

Quando dos  seus olhos as cores oscilam

e nos meus as sinto refletir,

penso e desejo,

diante deles um pouco mais ficar.

Vento, sonha o tempo...

e solto em vôo tranqüilo a desfilar em novo céu,

que agora cintilante se faz,

a copiar o peito que me abriga,

danço em meu vôo,

solto,

e revelo-me ao seu olhar...

Vôo



Escrito por Mauro Medeiros às 14h23
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Não me mande flores...

Não me mande flores,

quero a ti.

Nenhuma flor,

rosa ou lírio

cobre a tua falta.

Nada é para mim

substituto de ti,

nenhum botão, nenhum bouquet,

nem o maço das mais raras flores,

é a tua presença que me importa!

Quando estas à meu lado,

até o mais seco capim

exala o perfume de mil flores,

mas quando estas distante,

nem o mais florido dos jardins

demonstra o seu perfume ou

as suas cores.

Portanto, quero a ti,

porque sem ti

Não me importa as flores



Escrito por Mauro Medeiros às 16h34
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Sempre e tanto...

Faço um pedido ao vento, que sopre em seus ouvidos palavras minhas...

 

Começaria tudo novamente, desceria do céu,

atravessaria as nuvens,

flutuaria sobre as ondas,

deixaria que o vento me ajeitasse,

e pousaria solto em seu jardim,

colheria as mais diversas cores

e um perfume leve como a brisa,

pediria de volta a minha vida,

seria mais feliz e em seguida, dançaria.

Festejaria a alegria de voltar a viver,

levaria meu corpo para fora,

para a luz do Sol,

andaria por ruas e lugares,

chamaria a atenção de toda a gente,

abraçaria a todos que encontrasse

e os levaria em meu sorriso,

iluminaria a noite com o brilho do meu olhar,

vestiria-me com as pétalas das flores,

e me apresentaria a você;

 

- Sou aquele do amor sem fim, o peregrino de outras horas, que canta, dança e ri,

sou o bardo formoso, a perturbar na noite o silêncio com palavras belas,

sou o que pensa em ti.

Agora vem e dança novamente comigo, solta e leve, vamos criar novos passos

e dançar a nossa música, que a muitos perturba e a tantos agrada,

mas que só a nós importa.

Vamos felizes, sempre e tanto.   



Escrito por Mauro Medeiros às 14h29
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Sem você...

Em São Paulo chove, faz frio e as madrugadas são quase glaciais.

Não vejo a lua, há dias que ela desapareceu.

Noites de chuva, noites de frio, noites sem lua, sem brilho... 

...sem você.

Chove lá fora , e aqui dentro faço eu a chuva.



Escrito por Mauro Medeiros às 15h45
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Turbulentos sonhos...

Alguns bichos nojentos povoam meus sonhos

onde espalhados por toda a noite

devoram restos de outros animais

 

Pessoas infelizes que na noite perambulam

acabam por abrigar-se em meus turbulentos sonhos

lanço-me para além deles e sigo em fuga por toda a noite

 

Mergulho ainda mais fundo no vazio

sem do sonho voltar,

ergo-me para além de mim mesmo

 

Trazendo o peito intranqüilo e a alma atormentada

 disparo em tantas direções tentando atingir até mesmo o que não vejo

 sou na noite meu tormento...

 

sou em meus sonhos quem não vejo



Escrito por Mauro Medeiros às 15h27
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Algumas Coisas...

 

Algumas coisas...

Flores, palavras, gestos,

uma oração, um beijo seu,

um perfume distante, solto no ar,

ou por entre flores,

um toque quase que imperceptível,

tão suave quanto a brisa da manhã que acaricia o rosto.

Algumas coisas,

que acabam por tocar profundamente a alma,

trazendo lembranças,

recordações,

fazendo o tempo voltar e com ele imagens,

como as de um filme antigo,

imagens minhas e suas,

do que passamos,

do que tivemos.

É assim que me recordo de você,

por algumas coisas. 



Escrito por Mauro Medeiros às 14h41
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