Meu primo Marcio...
Um certo menino veio para brincar em minha festa.
Ele usava óculos, tinha os cabelos escuros,
um jeito manso de falar e de agir,
gostava de observar...
Veio, para partir tão cedo,
escondia as asas e corria atrás da filha,
Gostava de bicicletas,
dei uma a ele.
E foi sobre uma que foi atirado ao chão.
Sem poder as suas asas usar,
bateu com a cabeça.
Durou mais alguns dias,
e partiu feito um Anjo,
no dia de minha festa...
Escrito por Mauro Medeiros às 00h02
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Hoje é meu aniversário...

Um dia para além da minha memória...
Escrito por Mauro Medeiros às 23h47
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A vida se mostra triste, conforme os dias passam.
Acho que não suporto o peso de ter asas.
Por vezes preferiria não tê-las.
Nem asas e nem flores.
Nem Anjo nem Homem... 
Ou talvez um pouco do humano esteja mais em meus traços.
Às vezes o meu peito aperta de tal maneira,
que não entendo o que acontece...
Entristeço-me então um pouco mais a cada dia.
Escrito por Mauro Medeiros às 15h13
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Para você...
Conduzido pela mão do anjo
lanço-me em vôo para além das luzes
que na madrugada brilham abaixo das nuvens
Observo nos olhos brilhantes do anjo
flores que recolhidas banham-se orvalhadas,
pássaros que abrigam-se silenciosos nos galhos das árvores,
que agitam levemente suas folhas
com o suave soprar do vento
que da noite quente de antes, penetra além de algumas janelas abertas
O silêncio é tanto
que ouço mais o bater das minhas asas a qualquer outro ruído
vôo ainda mais baixo,
quase próximo ao chão
para observar de perto as flores dos olhos do anjo
que coloridas chamam a minha atenção
ao moverem-se com o sopro leve do vento
e ao exalarem suaves fragrâncias que a madrugada perfumam
Vôo agora de volta despedindo-me da madrugada
antes mesmo do sol apresentar-se com seus brilhantes raios
antes mesmo das flores dos olhos do anjo abrirem suas pétalas
Escrito por Mauro Medeiros às 16h55
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Imaginei um dia que não tive, fiz da chuva a tempestade.
E no vácuo do vento, me esqueci das palavras belas, permitindo a pérola fechar-se em concha.
Imagino agora um novo dia, tendo a pérola à mostra, em concha aberta à poesia.
Escrito por Mauro Medeiros às 21h50
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Um jeito de avó,
que com suas mãos macias me acaricia a cabeça,
alisa-me o rosto,
beija a minha testa
e conta-me um milhão de histórias.
Chama a mim, portanto de sonhador.
Ri das minhas anedotas e das de todos os outros,
conta também as suas, por repetidas vezes,
mas recebemos sempre, como se fosse pela primeira vez.
Alegria viva, alegria sempre, canção e poesia,
“alegria de viver”, como ela mesma costuma dizer.
Sempre a cantarolar uma canção,
sempre a zelar pelos netos,
sempre com um cafezinho,
uma broa de fubá ou um bolinho de chuva a nos servir,
ou um bom conselho.
Sempre a melhor avó,
diferente,
com sua pele marcada pelo “vitiligo”
e o coração tão grande
que lhe aperta o peito a cada batida,
ou de tanta gente que carrega dentro.
O melhor jeito de avó,
a mais rara flor do mais belo jardim,
a poesia de uma avó.
Minha avó Geralda.
Saudade...
Escrito por Mauro Medeiros às 14h12
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Descobri que um amigo vai "morrer"... Percebi hoje no choro dos seus, nas vozes trêmulas indicando a sentença, senti dor, medo, tristeza, remorso... Senti-me impotente. Enquanto as lágrimas enchiam os meus olhos e molhavam o meu rosto, perguntava-me por que? E nada ouvia que pudesse justificar isso, não entendia, não entendo... Olhei um pouco para os livros que ele me deu, para a sua fotografia, e só conseguia chorar... Senti-me sozinho, recordando de suas palavras, seu sorriso, suas histórias... Seu aniversário tão próximo do meu... Descobri, não queria... Que um amigo vai "morrer".
Escrito por Mauro Medeiros às 00h51
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Anjo que em minhas asas abrigo
dá-me no vôo acolhida
leva para longe de mim
o delírio que tanto busco
repousa-me nas águas mansas e tranqüilas
que abaixo das nuvens existem como um mar
leva-me ao jardim das flores pintadas
tinge o meu sonho que nas coisas procuro
anima minh’alma
alegra-me entre o sol e a lua
ilumina-me com o brilho das estrelas
que nas noites salpicam um céu
que escuro sem elas seria
anjo que além da morte procuro
sobrevoa-me acima das montanhas
e espalha nelas um pouco de mim
ajeita-me longe das dores
que em meus olhos vejo
ajeita minhas asas
que em poucas penas
voar mais não pode...

Escrito por Mauro Medeiros às 15h38
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