Já me perdi em tantas casas iguais que encontro em meu caminho,
não consigo encontrar a casa de onde saí esta manhã,
o dia já se vai,
o sol se esconde atrás das colinas,
e no vale,
o manto escuro da noite,
não me permite identificar a morada que me acolheu em prazer,
por toda a noite anterior.
Ao sair em felicidade,
abraçado pela alegria,
não notei a semelhança que havia entre todas as casas do lugar,
todas as ruas,
os rostos semelhantes de toda a gente.
Cansei...
Sentei-me em um canto qualquer,
num banco de pracinha,
tão igual ao de outras três,
num jardim de poucas flores.
Abri o vinho,
que havia comprado para comemorar o prazer,
na casa que não mais encontrava,
parti o pão,
companheiro do vinho,
meus únicos parceiros ao lado de poucas flores,
na noite agora de um luar claro,
de uma lua prateada,
grande,
que tomava boa parte do céu de tantas estrelas.
E por longos momentos ali permaneci.
Recordei a noite que tive,
a dama que me acompanhou em prazer,
me permitindo ser "perdido",
sentia o cheiro que a noite trazia,
o cheiro das flores,
sentia o gosto da bebida,
lembranças dos beijos,
os cabelos entrelaçados em meus dedos,
o corpo nu colado ao meu,
os olhos...
O sorriso...
Os pés junto aos meus,
nossos movimentos,
sua voz...
O vinho chegava ao fim,
a minha noite se tornava longa,
minhas recordações da noite anterior,
ainda me acompanhavam
e a saudade dos beijos...
O desejo...
O suave toque das suas mãos...
Adormeci.