Portifolio
http://www.youtube.com/watch?v=U91k8Ilw1gM
http://br.youtube.com/watch?v=EcjIdoMztb0
http://www.youtube.com/watch?v=EPqMrRq1Mdk&feature=related
http://br.youtube.com/watch?v=sOmjmkS6O-s
Escrito por Mauro Medeiros às 11h47
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UMA LIÇÃO PARA ALÉM DOS PALCOS
Para escrever esta coluna, pensei em como iniciar, sobre quem falaria, o teatro é tão extenso, toda a sua história os “Gregos” nossa eterna fonte, pensei também em Shakespeare, Brecht, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Antunes Filho, mas também gostaria de escrever sobre um autor que conheci, cheguei a trabalhar em algumas de suas peças e acompanhei vários de seus projetos. Falo de Zeno Wilde um homem de teatro, um dramaturgo como poucos, que nos deixou uma obra pungente, forte, intensa, rica em situações extremas, de personagens deserdados, como em “Blue Jeans – Uma Peça Sórdida”, texto que alavancou a carreira do autor que sempre fez um exame obsessivo do universo marginal, os excluídos, os “sem-saída”, em uma temática realista. A angústia eterna daqueles que vivem à margem da vida, uma marca que lhe trouxe vários prêmios, com “O Meu Guri”, “Uma Lição Longe Demais”, “Quem Te Fez Saber Que Estavas Nu?”, “Sabe Quem Dançou?”, “Salve O Prazer – Assis Valente” e outros tantos trabalhos. Uma maestria com a escrita, numa carpintaria teatral aliada a busca de soluções aos problemas, de apurado acabamento técnico e artístico. Foi ele um mestre em minha iniciação em dramaturgia, corrigiu e me apontou soluções em meu primeiro texto “Das Vezes Que Mamãe Chorou”. Zeno era gentil, talentoso, um dramaturgo que buscava formar e informar outros profissionais. Esteve à frente de alguns núcleos de teatro, como o “Núcleo da Lição” que veio logo após a montagem premiada de “Uma Lição Longe Demais” dirigida por Fauzi Arap no ano de 1986, o “Grupo Força Tarefa” de montagens como “Pasolini, A Segunda Morte de Pedro e Paulo” e em “Exagerei no Rímel”, montagem que abordava o humor negro, dando a Daniel Gaggini seu primeiro trabalho como diretor. Esse mesmo texto fora dirigido anos antes por Marcelo Marcus Fonseca, marcando também a sua estréia na direção, um talento, que estreou como ator em “Anjos de Guarda” em 1987, outra peça que Zeno além da autoria assinava também a direção. Zeno tinha também verdadeira paixão pelo cinema, e Luchino Visconti era um de seus diretores prediletos. Lembro-me ainda de uma longa conversa que tivemos após uma sessão de “Rocco e Seus Irmãos”, Zeno não se cansava de falar sobre algumas seqüências do filme, coisa que recordamos mais tarde em sua última direção, na qual reunia textos de Pier Paolo Pasolini e criou o mais belo trabalho de que participei, “Pasolini, A Segunda Morte de Pedro e Paulo”, Zeno foi brilhante, parecia mesmo se despedir, mostrava ali seu amadurecimento, passeava leve sobre o texto amarrando muito bem cenas e situações, dirigindo os atores com firmeza, marcando o espaço cênico, recriando um universo e “atmosferizando” o espetáculo, conduzindo a todos em sua viagem ao seu teatro e por suas histórias. Zeno Wilde nos deixou um legado, em que poderemos sempre analisar um significado, uma preocupação concluindo-se numa tela hiper-realista, um passeio poético num teatro feito com rigor, uma linguagem a ser entendida por aqueles que procuram mais do que a simples diversão nas salas de espetáculo. Zeno Wilde partiu no ano de 1998 para “outros palcos”, 51 anos após a sua estréia nesse lugar em que não sabemos ainda para onde nos conduzirá.
Escrito por Mauro Medeiros às 11h44
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BAZAR DO CRIME
Povão e bacanas se acotovelam para comprar souvenir de bandido
Uma confusão na abertura do bazar de objetos do traficante colombiano Juan Carlos Abadia no Jockey Club de São Paulo.
Mas que confusão é essa?
Objetos e pertences do traficante preso e de sua esposa foram vendidos a preços baixos. E é claro que o povo louco por coisa barata, por promoção, fez fila e armou tumulto. Pessoas de todos os pontos da cidade foram para lá, aumentando assim, o trânsito que já é caótico. O congestionamento parece ser a razão do paulistano, ninguém nem quer saber se é de bandido ou de quem é a mercadoria! O que o povo quer, é pagar pouco.
A TV já vem com vítima, para o “cara” comprar um aparelho de plasma, quantos morreram? Os sapatos pisaram em alguns corpos, mas tudo bem... Quantos liquidificadores! Ternos, camisas, grifes que nem tem no Brasil. Alguém vai usar uma roupa bacana que uns três morreram pra que ele comprasse, sim, pois esses itens todos foram adquiridos pelo traficante com dinheiro do crime, e ao chegarem nas mãos das pessoas por preços baixos, isso significa que o criminoso agiu em prol de um bazar da pechincha. Abadia cometeu atrocidades, vendeu pó, escondeu dinheiro e tem gente que vai usar suas roupas só pra posar de bacana.
O dinheiro arrecadado irá a benefício de obras assistenciais, mas esse movimento todo faz com que as pessoas delirem ao adquirir um objeto do traficante ou de sua esposa, parece um troféu, e ainda terá um leilão de peças “caras”. Talvez na mesma proporção que um leilão das peças intimas de Marilyn Monroe, suas últimas fotos, os óculos de John Lennon, o blusão de couro de James Dean, ou um objeto de algum outro mito qualquer. A idéia de que o traficante Juan Carlos Abadia possa ser transformado em mito aos que exibem seus pertences, me assusta.
Um amigo cineasta disse que, “vão lavar a roupa suja usando o sangue dos outros”... Coisa de filme mesmo! Mas, que é pra se pensar.
E Abadia torna-se celebridade, instalem câmeras em sua cela, e teremos um reality show com recorde de audiência. Pois até granfino foi pra fila, e é claro que segundo alguns, eles foram favorecidos. Só faltou a concorrência com a venda dos pertences de Abadia irritar a dona da Daslu.
Péra lá!!! Tem gente cortando fila pra comprar souvenir de bandido.
Pastas, bebidas, copos, aparelhos eletrônicos, e o povo saindo com sacolas e mais sacolas, uns reclamam, outros estão satisfeitos. Foi um evento. Policia presente pra botar ordem no empurra-empurra, pois muita gente ficou de fora, e sabe como é que é gente barrada do lado de fora! Os portões foram fechados antes da hora divulgada. Imagina só, o povo querendo comprar e sem poder entrar, só a policia pra botar ordem.
A policia bota ordem na fila enquanto objetos do criminoso são vendidos. Me parece um pouco estranho isso. Bem, pois foi assim que aconteceu.
Agora resta uma dúvida; os bens pertenciam ao bandido, mas a mercadoria não é pirata?
Escrito por Mauro Medeiros às 23h48
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Astronauta
Pensei um dia em ser astronauta, mas foi tão rápido o meu pensamento que não cheguei a entrar na nave que partia em direção a Lua, então me mantive aqui na Terra e preferi pensar ser outras coisas. E entre as tantas coisas que pensei, algumas realizei, outras, ficaram presas em meus sonhos, mas ainda acredito que conseguirei tocar um instrumento, gostaria de ser regente e com o simples movimento de uma batuta comandar o som, a música, o estrondo de uma orquestra, aquela música que nos chega além dos ouvidos, nos faz vibrar em melodia, pulsar em sintonia... Hoje escrevo, faço poesia, lido com as palavras e tento encontrar uma que defina o que sinto a cada momento em que recebo notícias suas...
E quando me recordo da face com pequenas sardas, que chegavam acompanhadas de um sorriso, a bordo de uma bicicleta com um descanso estranho, que me visitava em minha casa de menino, penso novamente em ser astronauta, ao menos para entender o que se vê na terra, de lá de cima.
Para Rosane
Escrito por Mauro Medeiros às 19h15
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